Introdução: Este trabalho se propõe a compreender as representações presentes nas narrativas sobre a educação escolar das crianças e adolescentes em acolhimento institucional na cidade de Mossoró-RN. Sendo assim, os sujeitos da pesquisa são os atores componentes da relação estabelecida entre as instituições protetivas, a escola, pais e mães por via da Adoção e os próprios infantes.
Objetivo: O objetivo do estudo foi entender, a partir das narrativas, as representações acerca da garantia do direito à educação na tríade acolhimento-criança-escola, durante o período provisório de acolhimento.
Procedimentos metodológicos: Desenvolvemos uma pesquisa situando cada um desses atores e sua participação na garantia do direito à educação dessas crianças e adolescentes para, a partir das suas narrativas de vida, versar sobre o acompanhamento escolar antes e depois da Adoção. A análise partiu da coleta das narrativas dos sujeitos, tendo como instrumento de coleta de dados entrevistas na modalidade semiestruturadas. O critério para seleção dos participantes foi a proximidade com as famílias e a necessidade de ouvir as instituições envolvidas. Em se tratando dos equipamentos responsáveis pela garantia do direito à escola nesse período excepcional, foram sujeitos de nossa pesquisa profissionais envolvidos no cotidiano das crianças residentes nesse ambiente, tanto da instituição de acolhimento como da escola em que frequentam as crianças e adolescentes acolhidas.
Resultados e discussão: Levando em conta os depoimentos dos profissionais das casas de acolhimento, observamos alguns atravessamentos interpostos ao processo pedagógico das crianças e adolescentes, tais como a demanda de muitas para cuidar, tendo que atender cuidados básicos como até os estudos. Quanto à profissional da escola vimos em sua representação um esforço em contemplar equidade entre todos os alunos (sejam eles acolhidos ou não), entretanto ponderamos em nossas análises sobre a necessidade de aprofundamento por parte dessas instituições aqui citadas das necessidades do público de nossa pesquisa. Por fim, considerando as reflexões demonstradas pelas famílias (tantos pais como as próprias crianças) cremos ser premente o debate sobre novas possibilidades para o processo educacional das crianças e adolescentes que vivem sob a guarda do Estado. Para estes, muitas fragilidades ocorrem, amparadas em representações desses meninos e meninas baseadas em mitos e preconceitos, que os veem como “coitados” ou ainda “complicados”. Por diversas vezes eles não têm, durante seu período de medida excepcional, um acompanhamento escolar devido.
Considerações finais: Percebemos que uma melhor intercessão e aprimoramento de projetos entre os responsáveis por atender essa frente amenizam os desafios das instituições de acolhimento, das escolas, das famílias formadas por via da Adoção.