Introdução: O acompanhamento das crianças e adolescentes em medida de proteção é um grande desafio para a rede de proteção. Os profissionais envolvidos precisam gerar informações seguras, a fim de contribuir para as decisões pautadas no melhor interesse do acolhido.
Objetivo: Nesse contexto, realizou-se uma revisão de literatura para identificar os conteúdos sensíveis para proposição de um novo instrumento de avaliação junto à famílias adotivas ou acolhedoras.
Procedimentos metodológicos: Os descritores para busca nos periódicos Capes foram: 1) vínculo; 2) criança; 3) avaliação; e 4) acolhimento, acompanhados dos seus respectivos sinônimos e termos em inglês, considerando a lacuna temporal de 2018 a 2023. Foram localizados 152 estudos, dos quais 99 foram excluídos por serem: duplicados (1), intervenções sem descrição dos instrumentos de avaliação (4), crianças maiores de sete anos (25), ou tratavam de outros assuntos (68). Entre os 53 resumos elegíveis, durante a leitura na íntegra, percebeu-se que 12 estudos não utilizavam instrumentos padronizado, restando 41 estudos para a análise qualitativa. Nessa análise, foram localizados 68 diferentes instrumentos. O critério de inclusão foi a identificação da população alvo para aplicação dos instrumentos e a existência de parâmetros psicométricos, localizando-se 13 instrumentos que foram excluídos por terem no público crianças com idade superior a seis anos. Outros 5 instrumentos foram excluídos por não apresentarem parâmetros psicométricos. Desse modo, 50 instrumentos foram considerados para análise, oriundos de 35 textos completos utilizados na análise qualitativa.
Resultados e discussão: O estudo minucioso desses instrumentos possibilitou a identificação de duas dimensões para extração de itens: 1) vínculo e 2) adaptação. Para cada uma das dimensões, foram extraídas questões sobre o comportamento do adulto (607) e da criança (347). A análise de itens resultou na seleção de 80 questões, distribuídas nas duas dimensões (vínculo e adaptação), com enfoque no comportamento do adulto e da criança. Foram então estruturados dois modelos de inventário, diferenciados semanticamente quanto ao respondente (pai/mãe ou cuidador). Esses instrumentos foram analisados por 12 juízes (7 para cuidadores, 5 para pais) que avaliaram a linguagem, consistência prática e teórica. Os juízes foram selecionados pela atuação na equipe técnica ou formação em avaliação psicológica. As etapas seguintes consistirão na redução dos itens, a partir da consistência observada entre os juízes, e aplicação com o público-alvo. Análises preliminares indicaram um bom nível de concordância quando a qualidade da linguagem utilizada (superior a 80%) e consistência teórico prática (70%).
Considerações finais: A versão corrigida desta análise seguirá para uma etapa piloto, com 10 famílias. A versão corrigida e ajustada seguirá para aplicação com um público estendido, para validação e redução dos itens. Pretende-se ao final disponibilizar um instrumento mais curto e consistente como subsídio para avaliação das equipes de forma sistemática e sensível à realidade brasileira.