Cleide Vitor Mussini Batista
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR
Gilmara Lupion Moreno
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR
Introdução: Este trabalho tem por finalidade dialogar por meio da literatura infantojuvenil sobre os encontros no processo de Adoção e da espera no Acolhimento. Consideramos imprescindível a escuta das crianças acolhidas e adotadas e vimos nas histórias literárias uma das possibilidades para dialogarmos a respeito. Ou seja, quais os afetos e desafetos dos encontros na espera por adoção e no contexto de acolhimento? O que dizem estes sujeitos que esperam por Adoção nas instituições de acolhimento? O que escutamos destes sujeitos? Estas indagações nos fazem refletir acerca desta temática.
Objetivos: Dialogar sobre os encontros no processo de Adoção, ou seja, da criança com seus futuros pais e mães, com sua família extensa, consequentemente, com suas histórias pregressas à Adoção. Dialogar sobre os encontros no Acolhimento, isto é, da criança com os educadores, a equipe técnica, com seus pares, com suas histórias de vida. Possibilitar por meio da Psicanálise e da Literatura Infantojuvenil a escuta, o diálogo o entendimento acerca do encontro e da espera por uma família pela via adotiva.
Procedimentos metodológicos: Analisamos na perspectiva da Psicanálise o livro infantojuvenil “Um gato chamado Peppo” que ilustra esses encontros, essas expectativas criadas durante este período de espera por uma Adoção. A obra conta a história de um gato diferente que achava que não seria adotado. Mas ele é especial… E encontra alguém tão especial quanto ele! Encontros estes que permeiam a construção de uma trama familiar, da novela familiar ao sujeito adotado.
Resultados e discussão: A história nos remete a pensar nas expectativas elaboradas pela criança que se encontra em acolhimento na espera pela adoção; na insegurança de talvez não ser “escolhida” por algum motivo; na autoimagem da criança na espera pela adoção; do desejo de ser filho e do desejo de ser mãe e de ser pai; das idealizações de cada um; da desilusão que este amor não se dá espontaneamente; da construção do vínculo, dentre outros pontos a serem considerados neste encontro. A Literatura Infantil é um recurso eficaz na construção do ser, na elaboração de conteúdos e de eventos angustiantes para as crianças acolhidas e adotadas. O que as histórias infantis fazem pelas crianças é auxiliá-los. Embora as histórias não tenham por fim garantir a plena felicidade, elas permitem à criança ter uma coletânea de exemplos nos quais poderá sempre recorrer para buscar auxílio para renovar suas esperanças em relação ao desejo de encontrar sua família ou mesmo para suprimir ou elaborar conflitos e sofrimentos vivenciados e, muitas vezes traumáticos.
Considerações finais: Para além do desejo dos pais na espera por um filho, precisamos pensar nas expectativas, nos sonhos, nas idealizações das crianças neste período de espera por Adoção na instituição de acolhimento. Precisamos escutar o sofrimento das crianças a espera de um encontro, precisamos ouvir as suas vozes, entender que cada uma delas tem uma expectativa e um sonho, e todas buscam por um encontro com um outro, por um lugar que possa ser acolhida, respeitada e amada. Um encontro que lhe dê visibilidade, voz e rosto.