Introdução: O universo feminino, permeado de tantas escolhas, há uma que se destaca: ser mãe ou não ser mãe. A partir desse questionamento, tantos outros se fazem emergir, como refletir de que maneira se chegará a essa maternidade, pois é válido ressaltar que a via biológica é apenas uma das opções. Não se deve descartar do debate outras possibilidades de se vivenciar a maternidade.

Objetivos: Promover reflexão sobre as motivações na escolha da maternidade pela via da Adoção, sem restringir a questões levantadas na literatura como a infertilidade, impossibilidades biológicas ou, até mesmo, ato de caridade.

Procedimentos metodológicos: Este estudo faz parte do trabalho de conclusão de curso da formação de Doulas de Adoção do Instituto Doulas de Adoção Brasil. Foi realizada uma revisão da literatura nas bases de dados Scielo e Google Acadêmico, que envolveu um processo de levantamento, análise e descrição de publicações sobre o tema da escolha da maternidade por via da Adoção.

Resultados e discussão: Os estudos revisados destacam que a identificação com a maternidade vai além das questões biológicas. A construção da identidade materna está intrinsecamente ligada às questões sócio-históricas de cada época e cultura, as quais influenciam as percepções, comportamentos e atitudes individuais ao longo da vida. Historicamente, a associação entre maternidade e feminilidade foi fortemente enfatizada, especialmente no século XIX. No entanto, o final do século XX testemunhou mudanças significativas nos papéis sociais das mulheres, refletindo-se em uma variedade de escolhas relacionadas à maternidade. O advento de métodos contraceptivos e conceptivos avançados concedeu às mulheres um maior controle sobre suas decisões reprodutivas. Isso levanta questões complexas sobre a escolha de engravidar ou não, e quando fazê-lo. Infelizmente, muitas mulheres que optam por não engravidar enfrentam críticas e estigmas sociais, sendo rotuladas como "anormais" ou com problemas psicológicos, o que é injusto e prejudicial. A decisão de se tornar mãe por meio da Adoção representa uma alternativa válida e significativa, embora ainda seja rodeada de tabus e preconceitos infundados. Esses estigmas muitas vezes resultam em uma visão distorcida da maternidade por via da Adoção, ignorando as muitas histórias de sucesso e vínculos de afeto que essa jornada pode proporcionar.

Considerações Finais: Concluindo, este estudo reforça a ideia de que a maternidade vai além da concepção biológica e da presença física do filho. A escolha de se tornar mãe, seja através da gravidez ou da Adoção, é profundamente pessoal e não deve ser julgada de forma negativa. É fundamental desafiar os estigmas e preconceitos associados à maternidade não tradicional, promovendo uma cultura de aceitação e compreensão das diferentes formas de vivenciar a relação materno-filial.