Introdução: Embora a parceria entre escolas e famílias adotivas seja fundamental para o desenvolvimento integral das crianças adotivas, bem como para a promoção de um espaço acolhedor e inclusivo, muitas instituições carecem de preparo para lidar com a diversidade familiar. Refletir sobre práticas escolares que favoreçam a construção de identidade e expressões autênticas das crianças, bem como ações de combate a práticas discriminatórias, são de extrema importância para promovermos uma pedagogia de fato crítica e transformadora, que acolha as crianças e adolescentes e promova seus direitos.

Objetivos: Este trabalho teve como objetivo refletir sobre as práticas escolares na relação com as famílias adotivas, explorando estratégias e possibilidades de atuação da Doula de Adoção na conscientização da comunidade escolar e capacitação das escolas e seus profissionais acerca do tema, para construção de práticas pedagógicas acolhedoras e inclusivas das famílias adotivas.

Procedimentos metodológicos: Realizou-se uma revisão da literatura incluindo livros e artigos sobre adoção, visando trazer reflexões pertinentes à relação entre a escola e a criança/família adotiva, bem como sua relevância na atuação da Doula de Adoção.

Resultados e discussão: A patologização das crianças adotadas é comumente vivenciada nas práticas escolares, contribuindo para a criação de estigmas e condutas escolares discriminatórias, já que as definem por suas supostas "dificuldades", podendo impactar negativamente seu desenvolvimento e desempenho acadêmico. O ambiente escolar, ao invés de proporcionar um espaço de crescimento e laço com o outro e com o saber, pode se tornar uma fonte adicional de conflito e angústia. Ao considerar a adoção através de uma perspectiva biologicista, há o risco de interpretação das dificuldades de aprendizagem ou comportamentais das crianças adotadas como sintomas inerentes a esse processo, podendo resultar em uma visão simplista e limitada do processo de aprendizagem. É fundamental que a escola promova um diálogo aberto sobre Adoção, desconstruindo conceitos limitadores de família e reconhecendo-as baseadas em vínculos afetivos e não laços consanguíneos, desconstruindo conceitos de maternidade/paternidade historicamente construídos e legitimando diferentes estruturas familiares. A formação docente deve incluir aspectos relacionados à parentalidade e Adoção, preparando os professores para criar um ambiente que respeite a diversidade familiar e combata estigmas, trazendo práticas pedagógicas que valorizem os diferentes arranjos familiares e a singularidade de cada aluno. Nesta dinâmica, as Doulas de Adoção podem promover um significativo trabalho na conscientização, oportunizando o acesso a informações seguras, favorecendo diálogos construtivos e ampliando a compreensão sobre as complexidades envolvidas nestas relações.

Considerações finais: Ao cultivar uma cultura de acolhida e respeito pela diversidade de experiências de vida, a escola pode desempenhar um papel crucial na promoção do bem-estar emocional e acadêmico das crianças adotivas, colaborando na promoção de seu desenvolvimento, construção de sua identidade e respeito à sua história e subjetividade. A atuação das Doulas de Adoção como agentes de transformação e promoção de debates sociais significativos, podem contribuir com um lugar ativo na formação e no diálogo com os profissionais da educação, compondo espaços escolares de forma fundamental para a construção de uma base sólida que beneficie tanto as crianças adotadas quanto o sistema educacional em que estão inseridas.