Introdução: Hoje já encontramos algumas obras de ficção nas quais a Adoção é retratada, sem necessariamente romantizar ou estigmatizar o processo adotivo, abrindo espaço para discussões e construção de conhecimento sobre o mundo de vivências dos sujeitos envolvidos no meio adotivo.
Objetivos: Acreditando ser a experiência um ponto de partida para a aprendizagem, buscou-se através do relato de experiência e da contextualização com a obra literária de “Anne de Green Gables” (Lucy Maud Montgomery) a discussão acerca da Adoção. O relato de experiência, descrevendo vivências que contribuíram para a discussão.
Resultados e discussão: O livro nos conta a história da jovem Anne, que se tornou órfã muito cedo, tendo passado sua infância de casa em casa, morando com várias famílias diferentes, até parar num orfanato de onde foi encaminhada para Adoção. No nosso relato de vida é conhecida essa experiência de viver em várias famílias, até o momento do acolhimento institucional e, seguindo, a adoção. Anne nos mostra que a partir dos livros e da imaginação consegue superar seus dramas e pesares. “Quando pego um livro e começo a ler não vejo o mundo em minha volta. Fazendo assim não ligar para quem fala mal de mim. Na leitura descobri um mundo só para mim onde ninguém mexe comigo e depois de uma boa leitura simpatizo as pessoas ao meu redor” (sic). Apesar da beleza da obra, Anne também relata as dificuldades e preconceitos vivenciados nos momentos do pós-Adoção, nos quais ela é maltratada e ridicularizada por seus colegas por ser órfã e adotada, o que causa um constante e duradouro sentimento de rejeição e não-pertencimento na menina. O nosso início de adaptação também não foi fácil, acontecendo momentos de sentimento de rejeição, em um deles foi “zombado, criticado, excluído de brincadeiras, mas não aguentei e tentei explicar o sentido da Adoção de crianças e jovens, mas não deram a mínima, então como não aguentei, fui obrigado a pedir aos meus pais para mudar eu de sala. Na outra sala me entenderam bem e tive muitos amigos” (sic). Contudo, Anne se mostra um tanto ambiciosa e quer ter um futuro no qual ela possa se sustentar e como uma meta de vida, fazer algo grandioso, pelo qual ela será lembrada. E, do mesmo modo que Anne, “também já passei por diversas aventuras e até que ganhei uma família e pretendo trazer muitas alegrias para meus pais e, se der certo, realizar alguns sonhos deles, pois minha vida de sofrimentos já se foi e agora é a de alegrias” (sic).
Considerações finais: Através da leitura da obra e da experiência vivida percebe-se que muitas vezes as pessoas podem ter pensamentos preconceituosos, por não entenderem o que é Adoção de crianças e adolescentes. Esperamos que esse trabalho possa proporcionar que as pessoas busquem entender mais e melhor sobre a Adoção, assim como indicamos a leitura de “Anne” para aqueles que estão ou irão iniciar o processo adotivo para auxiliar a entender o significado da adoção nas suas vidas e acreditarem na possibilidade de terem uma família.